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sábado, 11 de junho de 2011

A ANCINAV é para nós

22/12/2004 

O projeto que cria a ANCINAV concentra hoje as melhores expectativas sobre o futuro do audiovisual brasileiro, e por sua abrangência e sua natureza democrática, desperta manifestações azedas de setores habituados a olhar o Brasil pela janela da casa grande.

Quem assistiu, semana passada, ao debate em que esteve presente Manoel Rangel, pôde constatar a truculência com que o nosso conhecido Barretão procurou tratar o assunto. Atravessando o samba o tempo todo, Barreto urrava, bufava, destratava, atropelava a condução do próprio mediador do debate – além dos interlocutores – etc. – e põe etc. nisso.

Na ânsia de defender o indefensável, Barreto demonstrou, além de intolerância, profundo desconhecimento do projeto, ao imputar a ele elementos que nele não são encontrados e por argüir ausência no projeto de coisas que lá se encontram em bom português.

Sua participação estouvada e atabalhoada em tudo diferia da postura equilibrada e centrada de Rangel, que ia desfazendo as confusões plantadas por Barretão, que, entre outras coisas, tem a fama de tratar opiniões divergentes sobre cinema aos bofetes.

O telespectador, num primeiro momento, ao se ver diante das bravatas barretianas, tinha a nítida impressão de que as coisas chegariam às vias de fato – e olhe que, se estivessem todos no mesmo espaço, o risco era grande (Rangel falava do estúdio, com participação em teleconferência de Barretto e Bolognesi), pois enquanto o representante do MinC, com ponderação, buscava elucidar pontos importantes do projeto, o representante dos interesses inconfessáveis parecia querer saltar de seu monitor para quebrar tudo como num filme de faroeste.

O tom destemperado do Barretão é o mesmo adotado pela Rede Globo e seus sócios do FAC – de que falamos nesta coluna duas semanas atrás. Alarmismo, sensacionalismo, acusações de autoritarismo, censura, dirigismo entre outros, são argumentos sacados para impedir que um primeiro passo – e o projeto da Ancinav é isso – seja dado no sentido de modernizar e estabelecer marcos republicanos para a economia audiovisual brasileira.

Acostumados a tratar a concessão pública como propriedade privada, e o público como uma mina de ouro de exploração predatória, esses setores não conseguem sequer apreender a lógica do projeto, quanto mais seus objetivos – que estão muito distantes do “stalinismo” de que o acusam. Tratados e entendidos como, e autopromovidos à condição de 4o. poder, julgam-se no direito de impor ao país suas verdades e métodos, e sentem-se profundamente “afrontados” quando um poder legítimo, porque sufragado, cumpre o seu papel de estabelecer limites à apropriação privada dos os bens públicos.

O modo arrogante com que Barretão se dirigiu o tempo todo ao cineasta de São Paulo, ao mediador (Florestan Fernandes Jr.) e ao representante do MinC é sintoma do grau de atordoamento desses setores que se julgam proprietários do Estado e que se sentem diminuídos quando o Estado dá sinais de que para estes lados dos trópicos os ventos começam a bater na direção das camadas populares.

O projeto da Ancinav é um arejamento da vida brasileira num de seus setores mais sensíveis. Por isso, necessita de amplo apoio concreto não apenas das entidades relacionadas ao audiovisual, mas de todas as organizações populares e dos trabalhadores, os maiores interessados em que a democracia das urnas chegue às TVs, ao cinema, à internet – porque é do controle disso de que estão privados, e é o acesso democrático a isso que está em questão hoje.

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