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sábado, 11 de junho de 2011

Internet: a pedagoga do século XXI?

22/9/2004

Não foram poucas as vezes em que a televisão foi apontada como a grande pedagoga do século XX. É um exagero, evidentemente, mas que ela teve um impacto nunca antes observado sobre gerações que se sucederam a seu surgimento, isso não resta dúvida.

A televisão estabeleceu novas formas de viver, tirou de circulação práticas sociais milenares, encurtou distâncias no espaço e no tempo, e inventou não apenas novas formas de expressão como também de percepção.

A conversa no portão, após o serviço, deu lugar à novela. A rodinha de causos e de anedotas foi substituída pelo programa humorístico semanal. O joguinho de dominó ou de cartas entre amigos foi substituído pelo show de variedades. A discussão sobre futebol... não precisa: é só assistir ao jornal esportivo, e está tudo resolvido.

A expansão em larga escala da cultura audiovisual ocorreu de um modo tão vertiginoso que parece ter apanhado o homem contemporâneo de surpresa. A verdade é que ele ainda não conseguiu se adaptar a esses meios de comunicação e entretenimento, e tem sido forçado a substituir práticas sociais essenciais pó formas de representação dessas práticas na telinha.

Um dos problemas que professores temos enfrentado é a cada vez menos concorrida prática esportiva. Nossos estudantes estão cada vez mais sedentários em idades em que isso é simplesmente inadmissível. Nas grandes cidades, não havendo espaços nem segurança para que crianças e adolescentes frequentem espaços públicos com maior assiduidade, resta-lhes a telinha da TV e o espaço formalizado da escola, em que eles estão condenados também a ficar sentados a maior parte do tempo.

Ora, a TV não é substituto da vida, tanto quanto a escola não o é. Assim como um programa infantil não tem a função de babá, a escola não tem a função de substituir os pais, e ambas não são panaceia para tempo ocioso. E a prova mais eloquente disso é que as TVs têm perdido público para a internet, principalmente entre adolescentes, as escolas têm andado em pânico com seu público cada vez mais irrequieto, e os pais são cada vez mais cobrados no convívio familiar.

Assim como a TV não substituiu a escola no século XX — quem diz isso exagera e há muita gente exagerando —, a internet não decretará a aposentadoria da TV, que também não extinguiu com o cinema.

A grande pedagoga continuará a ser a escola. E se ela anda mal — e anda muitíssimo mal, as públicas e as privadas! Em todos os níveis! — a culpa não é da TV, é da própria escola, de seus agentes e dirigentes, e da sociedade que não ousa transformá-la em algo mais compatível com as novas necessidades do homem contemporâneo, que precisa ser mais solidário, crítico e participante.

Se TV e internet têm ocupado e preocupado tanto os pais é porque elas têm ocupado um lugar que não é delas: é da família, dos amigos, da vida real. Mas, então, é só pô-las em seus devidos tempos e lugares.

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