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sábado, 11 de junho de 2011

Rede Globo é a melhor e faz 40 anos, mas e daí?

27/04/05 

A programação da Rede Globo destaca esta semana seu 40o. aniversário com uma grande novidade: um festival de auto-referências, o que é enervante, mas é mais do mesmo.

Tem anarcocineclubista que vai ficar fulo da vida com o que vou dizer, mas a verdade é que a Vênus Platinada é o que há de melhor na televisão brasileira, faz tempo. E não adianta ficar fazendo campanha de boicote aos filmes que ela tem produzido, porque também nesse particular tem dado lições de profissionalismo e competência.

Há setores extremamente reacionários, atuantes também no movimento cineclubista, que elegeram a quarentona como o capeta a ser exorcizado da cultura brasileira. Creio que não será possível, pois mesmo em sendo um capeta, já disseminou sua religião tal como no conto de Machado de Assis.

O brasileiro gosta da Rede Globo. Para se ter uma idéia dessa relação entre ela e seu público, basta dizer que se o executivo federal, ou o legislativo ou o judiciário, sumisse dos noticiários por um dia, ninguém sentiria falta e alguns até computariam a ausência como acréscimo de conteúdo, ao passo que se, numa hipótese sinistra, a Globo saísse do ar por um só dia, sabe-se lá quais seriam as imprevisíveis dos populares privados de sua cachaça diária (antes de mais nada, sou a favor da cachaça).

A Globo apoiou até o fim a Ditadura Militar. Enquanto o maior comício em favor das Diretas-Já ocorria, ela transmitia o pronunciamento do impagável Presidente Figueiredo, aquele que preferia o cheiro dos cavalos ao do povo. Em 1989 participou da fraude Collor e transmitiu ao vivo, no dia da eleição, a farsa montada pela Polícia Federal, que, ao prender os seqüestradores de Abílio Diniz, os vestiu com camisetas do PT.

Porém, a Globo nos ofereceu a obra de Janete Clair, Dias Gomes, Vianinha; tá certo que também a Xuxa.

A Globo pôs no ar Saramandaia, Carga Pesada, Sítio do Pica-Pau Amarelo e Big Brother.

A Globo tem 80% de sua programação concentrada em produção própria nacional e é um monopólio que joga xadrez e vale-tudo contra o governo – e ganha – no que tange à democratização dos meios de comunicação.

A Globo tem um núcleo de teledramaturgia e de telejornalismo de qualidade técnica comparável aos níveis internacionais e manipula imagens e informações torcendo-as em favor de neoliberalismo fanático e fundamentalista.

A Globo não é o que os democratas desejamos mas e daí? O Lula não foi à cerimônia de sepultamento de Celso Furtado, mas foi ao velório de Roberto Marinho. E se isso não explica muita coisa, pelo menos ajuda a confundir.

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