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sábado, 11 de junho de 2011

O impasse do (cinema) brasileiro se resolve rezando

13/4/2005  

As produções do cinema brasileiro, que no ano de 2003 superaram os vinte milhões de ingressos e que recuaram em 2004 numa espécie de acomodação de mercado, em 2005 devem estabilizar-se em patamares representativos das atuais perspectivas, que se não chegam a ser desesperadoras, estão longe do potencial de público de nosso mercado interno.

Nosso cinema vive hoje inúmeros conflitos formais e estruturais. Do ponto de vista formal, as pesquisas e experimentações mais radicais se confinam ao universo das produções ditas independentes, muitas das quais relevantes, que todavia se perdem num mar de outras tantas puramente amadorísticas e inexpressivas. As grandes produções esforçam-se por demonstrar o domínio de técnicas e equipamentos, os quais são incorporados às obras e sua realização, no mais das vezes, sem maiores reflexões, o que em vários casos deixa transparecer aquilo que Nelson Rodrigues chamou de “complexo de cachorro vira-latas”, e que pode ser assim traduzido em palavras: vamos mostrar para esses caras que sabemos fazer o que eles fazem (parece a seleção do Parreira). Esses caras, no caso do cinema, são os EUA (no caso da seleção do Parreira é a Inglaterra).

Do ponto de vista estrutural, há um gargalo que impede o filme do realizador brasileiro de encontrar o grande público, que não é aquele que tem ido aos shopping centers estourar seu limite de cartão de crédito ou de cheque especial num consumo desenfreado, mas sim aquele que, hoje, nas periferias das grandes cidades ou nas pequenas e médias vende o almoço para comprar a janta.

Quanto às pesquisas de linguagem, é assunto que fica para a próxima. Quanto ao gargalo de público do nosso cinema, duas coisas necessitariam acontecer antes de quaisquer outras.

A primeira diz respeito à redenção do povo brasileiro por meio de uma política de empregos digna; a segunda, está relacionada à democratização e popularização do cinema, por meio da expansão do circuito exibidor para as periferias das metrópoles e para as pequenas e médias cidades, com preço de ingressos compatíveis com as realidades sociais locais.

Pelo andar da carruagem, que segue impávida para o quarto ano, uma efetiva política de democratização do audiovisual vai se afastando para o horizonte, ou para além dele, de um virtual segundo mandato de Luís Inácio Lula da Silva. Quanto à redenção do povo brasileiro pela implementação de uma política de empregos digna, pela insistência do Presidente em enfatizar sua fé católica, parece que vai ficando ao Deus dará.

Neste ponto saio da economia e do cinema para entrar na história, da MPB: “E se Deus não dá? Como é que vai ficá, ô negá?”

Para não dizerem que fui tomado de súbito pessimismo, quando na realidade fui apenas acudido da lembrança de um antigo samba de Chico Buarque, apresento uma sugestão: já elegemos um presidente para ver se se resolviam nossas aflições, mas a vaga de papa ainda está aberta...

Meus caros leitores, que perdoais as gralhas em que tenho incorrido nestes apressados artigos de quartas-feiras, não percamos a esperança – que é o outro nome da fé. Vamos formar uma corrente de pensamentos positivos que reverta a situação e eleja D. Cláudio Papa.

É uma esperança, e nem é a última, pois... e se houver eleição para Deus? Bem, mas, nesse caso, é preciso considerar que Bush leva ligeira vantagem por estar em campanha há mais tempo.

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