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sábado, 11 de junho de 2011

Ancinav na mira do morto vivo

5/1/2005


Ao fechar as cortinas de 2004 o jornal O Estado de São Paulo concedeu um espaço de meia página para que Arnaldo Jabor expusesse seus argumentos acerca do projeto que institui a Ancinav. Com esforço de mouro, boa vontade franciscana e paciência chinesa, consegui chegar ao final do artigo, que resumo em poucas palavras: não vale nada.
Em primeiro lugar porque o generoso espaço cedido não resultou em nenhum argumento, mas apenas em ofensas grosseiras em abundância num texto de pouquíssimos substantivos a boiar numa enxurrada de adjetivos que desqualificam mais o próprio autor do que aqueles a quem
pretendeu atingir.

Que Jabor faz da histeria um estilo, todos sabem, e esse foi o preço que a Globo teve de pagar após a morte de Paulo Francis, mas que ele topasse assumir o papel de bufão, houve quem duvidasse. Porém a ocasião faz o homem (na verdade o provérbio é "a ocasião faz o ladrão"), e o que se ouve e vê de Jabor nas suas crônicas "globais" e o que se lê dele nos jornais são cambalhotas de histrião para gozo de uma elite que nada tem de nobre há muito tempo.

Vestindo a roupa de bobo da corte (ele já desistiu de fazer filmes, vamos torcer para que desista de fazer jornalismo), acusa o MinC de estar tomado por "bolchevistas", lava a roupa suja de seu passado de mal comunista execrando o CPCs da UNE como fossem aventura de idiotas e postula o liberalismo como seu horizonte de sonho, não sem antes dar como certo que o objetivo do projeto da Ancinav é acabar com a rede Globo, num desvairismo delirante que, realmente, quando li, quase ri.

Comunista vacilão nos idos de 1960, cineasta interrompido da década de 1980 e jornalista fanfarrão que ao invés de fazer rir faz-nos trocar de canal ou virar a página do jornal na década de 1990, Jabor - que não percebeu que a década passada já passou e que o relógio do milênio já virou três dígitos - esforça-se por parecer um liberal sincero, mas a imagem que resta de seus textos e micagens de quatro "as" (azedos, amargos, ácidos e anacrônicos) é uma caricatura longe do engraçado e enfiada pelo grotesco.

Ao final da leitura desse seu regurgito de véspera de reveillon, em que as vísceras foram postas pela boca a fora junto com os objetos mal digeridos de sua ressaca ideológica extemporânea, confesso que, tomado pelo espírito natalino, apiedei-me profunda e compungidamente.
É que me pareceu, como num filme de horror mal realizado, que estava diante de uma carpideira caprichosa chorando seu próprio cadáver.  Não convido todos a lerem seus textos (que são autonecrológios), pois não desejo isso ao pior inimigo, mas pondero que se o fizerem, que o façam com espírito solidário, pois se trata de enterro (na verdade autoenterro). E os mortos merecem respeito, mesmo quando alguns deles insistam em assombrar o presente com sua bile negra e enfarar o futuro como um enorme peso... morto.


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