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sábado, 11 de junho de 2011

Galinhas, o mundo vai acabar: corram todas para a toca da raposa

15/9/2004
Ipojuca Pontes, aquele mesmo que no governo Collor contribuiu para atirar o cinema brasileiro a níveis abaixo do fundo do poço, ontem fez presença na página dois do Estadão, para fazer o que sabe: alardear o fim do mundo que, pelo seu artigo deve começar aqui pelo Brasil.

Para ele, o projeto do MinC, que tem como elemento estratégico a criação da ANCINAV, é um sinal do fim dos tempos. E quem é que está por detrás desse apocalipse, segundo o ex-funcionário de confiança de Collor?

Fidel Castro. Sim, é isso que ele diz. Literalmente.

Fidel Castro estaria movendo cordões para que a América Latina se tornasse um feudo da censura à imprensa e à expressão artística livre, e um paraíso obscurantista chamado socialismo.

É lógico, de carona ele aproveita para elogiar o livro do herdeiro do império Globo, que a pretexto do aniversário do Jornal Nacional, alardeia o que ele entende ser ataque do governo Lula à democracia.

O artigo de Pontes lembra a história da galinha que, informada pela raposa sobre o fim do mundo, saiu a pelo terreiro a cacarejar tresloucadamente e a convencer as demais a se protegerem da catástrofe abrigando-se na toca da própria raposa.

A fábula é conhecida e não é preciso, por óbvio, contar o final.

No artigo, Pontes ameaça que, por muito menos do que vem realizando o governo Lula, a família Marinho moveu-se com sucesso para derrubar o governo Jango. Detalhe: para ele, a família Marinho tinha razão. Tempos atrás, Artur Virgílio, uma das mais proeminentes metralhadoras giratórias do PSDB, ao tratar de assunto pouco diferente disse o mesmo, de modo que a recorrência dessa prática denuncia os praticantes.

Sinceramente, penso que as raposas do PSDB e PFL e Cia. Ltda. se consideram os únicos leitores de Esopo, Fedro, La Fontaine etc.

Agora, o que essas falsas trombeteiras do juízo final parecem não ter compreendido da leitura que fizeram é a moral dessas fábulas e as intenções dos fabulistas, empenhados em recriminar o comportamento dos espertalhões que pregam catástrofes para colher vantagens, e daqueles que se comportam como galinhas assustadas frente à conversa fiada das raposas.

O artigo de Ipojuca Pontes é de rir, mas é também para se lamentar, particularmente quando se lembra de seu parentesco com Paulo Pontes, esse coração generoso e sem medo que tão precocemente parou de bater. Bem, ao menos não está passando a vergonha de ter de se desculpar, sendo um coração de leão, pela conversa fiada do parente raposa que tem.

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